Como a Internet das Coisas afeta o nosso dia a dia

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Como a Internet das Coisas afeta o nosso dia a dia

Publicado dia 15/09/2015

Na década de 1960, os criadores do desenho animado Jetsons fizeram sucesso ao vislumbrar o cotidiano de uma família futurista que convivia com automação, carros voadores e muitos utensílios domésticos inteligentes. Anos depois, no final da década de 1980, o filme "De Volta para o Futuro 2" também mexeu com o imaginário das pessoas ao trazer para a tela do cinema inovações inimagináveis para aquela época, como vídeo-chamadas, câmeras ultrafinas e óculos que exibiam clipes musicais.

Previsão é que em cinco anos serão 50 bilhões de objetos ligados à internet - Foto: Reprodução/OdisseyPrevisão é que em cinco anos serão 50 bilhões de objetos ligados à internet - Foto: Reprodução/Odissey

Algumas décadas depois, esses enredos, antes frutos da imaginação, começam a se concretizar em nosso cotidiano, graças a mentes tecnológicas que vêm trabalhando no conceito da Internet das Coisas (IoT, na silga em inglês), que promete ser a grande revolução tecnológica deste século.


Por meio da IoT, a rede mundial de computadores deixa de conectar apenas as pessoas e passa a conectar as coisas que nos rodeiam e ligá-las entre si, permitindo uma infinidade de usos e possibilidades. Imagine ter uma geladeira capaz de detectar que há alimentos em falta e informar o dono da casa por mensagem. Com a Internet das Coisas, será possível,por exemplo, uma cama acionar o ar-condicionado para deixar a temperatura do ambiente ideal para um sono tranquilo.


"É o que os estudiosos vêm chamando de quarta grande onda. A primeira foi o e-mail, seguido da web, os mobiles e, agora, a Internet das Coisas", explica o analista de infraestrutura do Ministério das Comunicações, Guilherme Corrêa. A inteligência desses dispositivos advém de sensores e chips, que geram dados sobre os hábitos, preferências e rotina. Esse trabalho de "interpretação",segundo Corrêa,  que envolve muitos fundamentos matemáticos e estatísticos, é uma das chaves para o sucesso e para o pleno desenvolvimento desse conceito.


O princípio

 

Tudo começou em 1991, quando Mark Weiser criou o conceito de comunicação ubíqua, que se baseava na ideia de que computadores estariam espalhados para dar suporte às tarefas cotidianas. Quanto menos perceptível essa interação fosse, melhor seria o desempenho dessa tecnologia.


Em menos de três décadas, o cenário vislumbrado por Weiser ganha contornos de realidade cada vez mais fortes. Uma pesquisa encomendada pela Cisco e divulgada pela Tata Consultancy Services (TCS) mostrou que, em 2010, já existiam 12,5 bilhões de coisas conectadas à rede mundial de computadores. A previsão é que em até cinco anos serão 50 bilhões de objetos ligados à internet.


Ainda segundo o levantamento, as empresas brasileiras devem investir US$ 79 milhões – o equivalente a R$ 237 milhões – em Internet das Coisas neste ano. O barateamento de processadores, a popularização da programação e o desenvolvimento de sensores e chips cada vez mais portáteis que surgem com a nanotecnologia, desenvolvendo materiais e componentes em dimensões microscópicas, são decisivos para o crescimento da Internet das Coisas.


Atualmente, vivemos um momento de discussão de padrões decisivos para a massificação de objetos conectados.  As grandes empresas estão definindo a interoperabilidade dos sistemas. "São protocolos comuns a todos os objetos que permitirão que eles troquem informações", explica o gerente de projetos do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, Thales Marçal.


A adesão massiva a este tipo tecnologia também depende do aprimoramento das infraestruturas de redes e do armazenamento em nuvem para dar conta do grande volume de dados que será gerado com a conexão dos objetos.


Além disso, o avanço nas comunicações máquina a máquina ("M2M", em inglês), com hardwares cada vez mais capazes de se comunicar entre si sem intervenção humana, é fundamental para o avanço da Internet das Coisas. São dois conceitos semelhantes, ainda que o M2M seja mais circunscrito. Um exemplo bem conhecido de comunicação máquina a máquina é o monitoramento de semáforos, que regula o tempo de verde ou vermelho a partir do fluxo de trânsito.


Desafios

 

Uma revolução desse porte exige discussões aprofundadas. O governo federal criou, em 2014, a Câmara de Gestão M2M (Máquina a Máquina) e Internet das Coisas, que agrupa representantes do governo, da iniciativa privada (indústria e serviços), de universidades e instituições de pesquisas.


O grupo se reúne periodicamente para discutir qual a visão destes segmentos sobre o tema, identificando dificuldades e oportunidades de crescimento. A expectativa é que, até o fim deste ano, seja lançado o Plano Nacional de M2M e Internet das Coisas. A ideia, segundo o Ministério das Comunicações, é preparar o país para essa transformação que já está em curso, beneficiando diversos setores da economia nacional, como a agricultura, a indústria automotiva, a saúde e a educação.


O plano trará diretrizes que são fundamentais para o desenvolvimento de uma política pública específica para o setor. A estratégia deve dar suporte a diversos pontos importantes para o setor de IoT, como aspectos de segurança, privacidade, questões tributárias, importação de componentes, capacitação de recursos humanos e infraestrutura.


(Escrito por Agência Gestão CT&I, com informações do MiniCom)