Energia eólica: A força dos ventos para movimentar o Brasil

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Energia eólica: A força dos ventos para movimentar o Brasil

Publicado dia 15/09/2015

A força dos ventos é usada desde a antiguidade para mover barcos impulsionados por velas ou para movimentar as engrenagens dos moinhos. Com os avanços tecnológicos do final do século 19, foi possível produzir eletricidade por meio de turbinas que giravam a uma velocidade maior. A necessidade cada vez mais inerente de conseguir energia barata e não poluente permitiu, no século 20, que a tecnologia avançasse e desenvolvesse aerogeradores mais eficientes. A inovação tecnológica neste campo se espalhou pela Europa e demais locais do hemisfério norte, chegando à Ásia e, finalmente, à América Latina.

No Brasil, a energia eólica é uma fonte de eletricidade relativamente recente. Há pouco mais de dez anos, o País sequer pensava em fazer investimentos no setor, já que as hidrelétricas sempre foram mais competitivas e tinham um potencial gigantesco, ao mesmo tempo em que o custo para produzir energia eólica ainda era muito alto.

A partir do momento em que novas tecnologias vão surgindo e parecem ser mais atrativas e com um custo menor, o cenário se torna mais propício para receber investimentos. Tal situação ocorreu com a energia eólica e este foi um dos grandes motivadores para a entrada do Brasil neste mercado. Duas iniciativas mostraram concretamente o interesse do País pelo setor. A primeira foi o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), criado em 2002 e regulamentado em 2004, que permitiu os primeiros aportes para a área. A segunda foi o primeiro leilão competitivo para o setor eólico, realizado pelo governo em 2009.

“Só nesse leilão foram contratados 1,8 gigawatts (GW) de energia eólica. Para se ter uma ideia, 2 GW instalados atendem cerca de 7 milhões de habitantes. Então, esse evento sinalizou para o governo que a fonte eólica realmente valia a pena e que estava em outro patamar de preço”, explicou Elbia Melo, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

De 2009 a 2014, o governo fez mais leilões, contratando aproximadamente 14 GW de fonte eólica, dos quais 6,8 GW estão em utilização. Apesar do potencial brasileiro ainda estar em estudo, as últimas estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que o País pode alcançar com a fonte, no mínimo, 300 GW. Com ventos de qualidade como os daqui, o patamar pode chegar a 400 GW. Como base de comparação, a matriz energética brasileira produz atualmente pouco mais de 138 GW para abastecer a demanda nacional.

Então, se o potencial do Brasil é tão grande em energia eólica, porque estamos aproveitando "apenas" cerca de 4% dele para suprir a matriz elétrica? Por que não está sendo usado mais dessa poderosa fonte para contribuir na eficiência energética brasileira?

Para responder a essas perguntas e apontar os principais desafios e soluções para o setor, a Agência CT&Ipreparou uma série de reportagens para mostrar o que mudou quanto ao uso da energia eólica no Brasil, as inovações na última década, o panorama atual e o que precisa melhorar para chegarmos a um novo patamar que aproveite, de fato, o potencial que o País tem com essa fonte.

(Escrito por Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I)